Cadê o Divã?

Marque um horário para você, agora mesmo!

COMPORTAMENTO

Cadê o divã?

Técnicas criativas dão outra cara
ao atendimento psicoterapêutico

Lia Bock

Fotos Heudes Régis

Kênia e um grupo de pacientes: "Muitos sentem o corpo formigar, choram e dão risadas"

Foi em 1900 que o austríaco Sigmund Freud, criador da psicanálise, começou a acomodar seus pacientes em uma espécie de sofá sem encosto, o divã. Até hoje, mais de 100 anos depois, essa é a primeira imagem que vem à cabeça quando se pensa em algum tratamento psicoterapêutico. Mas o atendimento está ganhando novas formas. Sessões ao ar livre, desenhos no lugar de conversas e técnicas de respiração acelerada, entre outros métodos, passaram a ser experimentados por paulistanos que se entediavam com os longos tratamentos da psicanálise. A idéia é valorizar todo tipo de expressão, e não apenas a verbal. Especialista em terapia anti-stress, a psicóloga Daniela Selingardi atende em parques e praças da capital, além de ir à casa dos clientes. “Fico com o stress da locomoção na cidade”, brinca. Ela sempre trabalha também com alguns exercícios de alongamento. “É essencial para quem não gosta ou não consegue falar.”

No consultório da médica e arteterapeuta Giovana Berezovsky, cada um escolhe a forma de se expressar. Em duas caixas feitas de papel machê, ela guarda pincéis, tinta, argila e papel. “É errado pensar que a arteterapia serve apenas para portadores de doenças mentais”, afirma Giovana. Para ela, muitas pessoas conseguem expor seus sentimentos mais facilmente através de um desenho ou de uma pintura. Até uma técnica de hiperventilação pode servir para auxiliar o tratamento. Segundo a psicóloga Kênia Piacentini, uma respiração mais rápida que o normal faz com que a pessoa inspire mais oxigênio, entre em contato com seus sentimentos e se lembre de fatos marcantes da vida. “Enquanto aplicamos a técnica de hiperventilação, muitos sentem o corpo formigar, choram e dão risadas”, conta. Em seguida, a experiência é discutida em grupo. Para desinibir os participantes, Kênia faz brincadeiras com bexigas.

Muitos terapeutas que seguem os métodos tradicionais vêem as novidades com ressalvas. Para o psicólogo Luiz Alberto Hanns, presidente da recém-criada Associação Brasileira de Psicoterapia (Abrap), as técnicas alternativas podem trazer benefícios para alguns, mas não há comprovação científica de que sejam efetivas em casos mais complexos. É preciso, portanto, cuidado na hora de escolher uma dessas terapias. A legislação brasileira não exige diploma ou curso universitário específico para alguém trabalhar com elas. Por isso, é importante obter referências sobre o terapeuta. A Abrap pretende criar um cadastro com essa preocupação. “Para se associar, será preciso passar por uma seleção rigorosa”, explica Hanns. “Assim, os interessados poderão fugir das armadilhas.”

Como são as técnicas

Terapia anti-stress – a sessão é feita ao ar livre, com aula de “relaxamento e consciência corporal”

Arteterapia – em sessões individuais, o terapeuta usa tinta, massinhas e outras técnicas para aumentar a auto-estima do paciente

Renascimento – a respiração acelerada e os exercícios de relaxamento em grupo são usados para estimular o “autoconhecimento”

Rua Caraibas, 1179 - casa 09 - Pompéia - São Paulo - Telefone : (11) 3672-4421